Os haicais ou haikais, no mundo inteiro chamados de “haikus”, que por moralismo na língua portuguesa traduzimos do japonês para “haicais”, nos foram apresentados, em grande parte, pela escritora Olga Savary ao traduzir os mais potentes versos de Matsuo Bashô (1644-1694), Kobayashi Issa (1763-1828) e Masaoka Shiki (1867-1902), responsáveis pela modernização deste estilo poético japonês que se constitui de três versos, com títulos ou não, de sete sílabas, cinco sílabas e sete sílabas ou o inverso com cinco sílabas, sete sílabas e cinco sílabas. Um verdadeiro quebra-cabeças que exige a paciência, a qual admiramos dos japoneses, para serem construídos.
A origem da palavra, levando-se em conta a sua tradução, seria a junção de dois termos: “hai” (brincadeira, gracejo) e “kai” (harmonia, realização) que em língua portuguesa resultou em “haicai” extraem a sua beleza justamente na construção silábica, um exercício vital para sintetizar sentimentos e emoções. Olga Savary preferia o termo “haikai”, mas a moderna língua portuguesa nos levou a usar haicai nesta obra.
No Brasil, além de Olga Savary, autora do primeiro livro erótico de poemas escritos por uma mulher no país, se dedicaram a este exercício, entre outros Millôr Fernandes, Guilherme de Almeida e Paulo Leminski. Esses versos tão contidos que originalmente têm como ponto de partida as nossas emoções em relação aos equinócios, as estações do ano como quebra — a segunda linha — são de uma beleza sintética sem igual.
Em julho de 2025, a Editora Olympia presta pelo talento de escritores de todo o país um tributo a uma escritora, tradutora, jornalista e poeta que muito nos incentivou, contribuindo com ideias e sugestões face à sua experiência com antologias que nos ajudaram e ajudam ainda hoje a seguir em frente. Com sua delicadeza, Olga Savary nos concedeu inesquecíveis momentos de convívio.
Vítima da pandemia Covid-19, ela deixou um legado inequívoco de talento e amigos como Pablo Neruda que admirava suas traduções e a ela entregou a responsabilidade de traduzir suas obras. Ganhadora de dois Jabutis, o prêmio mais importante da literatura brasileira, Olga Savary, a dama dos haicais, é a nossa homenageada deste concurso.
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