Do que somos feitos? A escritora goiana Cora Coralina, certa vez, ao refletir sobre esta filosófica pergunta respondeu com a simplicidade e a doçura que foram sua marca registrada que é de nossas memórias e de nossos sonhos. É claro que a resposta foi mais poética, mas, aqui, nos interessa ligeiramente refletir e convidar autores de todo o país para passar a limpo suas memórias, seus sonhos desta colcha de retalhos de que somos feitos fazendo uso da cristalina poética da doceira de Goyás Velho.
Para Machado de Assis, em Dom Casmurro, temos sempre saudade do que fomos, memórias. O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, na contemporaneidade, concluiu que “é espantoso viver, acumular memórias, afetos.” Thomas Man em “A montanha mágica” percebeu que nosso olhar muda com o tempo. Aqueles quintais, jardins e parques enormes da infância que nos parecem infinitos e que, quando revisitados, se tornam pequenos que nos tornamos adultos, mas sem perder a sensação primeira das nossas memórias de infância que nos trouxeram até aqui.
É, portanto, dessas memórias, desses sonhos, que construímos por meio de contos os recortes que deram origem ao livro “A colcha de retalhos de que somos feitos” que chegará aos leitores no mês de julho de 2025.